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Fogos de artifício causam sofrimento e aumentam riscos para animais de estimação


Os fogos de artifício, comuns em festas e celebrações, representam um sério problema para cães e gatos, que sofrem com o barulho intenso e inesperado. Com audição muito mais sensível que a humana, os animais podem entrar em pânico, apresentar sinais de estresse extremo e até se colocar em risco ao tentar fugir, o que acende o alerta de veterinários sobre os impactos dessa prática na saúde e no bem-estar dos pets.

Por Luiz Carlos Bordin

Fogos de artifício causam sofrimento e aumentam riscos para animais de estimação

Prefeitura do Rio/Subvisa/Nelson Duarte

Enquanto os fogos de artifício simbolizam celebração para muitas pessoas, para cães e gatos o barulho intenso representa medo, sofrimento físico e risco de acidentes. Especialistas alertam que a sensibilidade auditiva dos animais é muito superior à humana, o que torna datas festivas como Réveillon, Natal e Carnaval períodos críticos para a saúde e o bem-estar dos pets.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ), Diogo Alves, a audição humana alcança frequências de até 20 mil hertz (Hz), enquanto os cães conseguem captar sons de até 40 mil Hz e os gatos chegam a perceber até 65 mil Hz. Essa diferença faz com que os estampidos dos fogos sejam interpretados pelos animais como ameaças iminentes.

“O som alto e repentino é entendido como um estímulo perigoso. Isso gera um estado intenso de estresse, medo e pode desencadear reações emocionais e comportamentais graves”, explica Alves. Segundo ele, muitos animais desenvolvem fobia sonora, condição em que o impacto do ruído é potencializado, causando pânico extremo.

Esse medo pode levar a comportamentos perigosos, como tentativas desesperadas de fuga, automutilação, quedas, atropelamentos e até paradas cardíacas em casos mais graves. Por isso, o veterinário reforça a importância de uma preparação antecipada por parte dos tutores.

A orientação é manter uma rotina tranquila dentro de casa, oferecer brinquedos que ajudem a distrair e canalizar a energia dos animais e criar ambientes mais protegidos. Cômodos fechados, cortinas cerradas e soluções simples de isolamento acústico ajudam a reduzir o impacto do barulho externo. Sons contínuos, como televisão ou música em volume moderado, também podem funcionar como uma barreira sonora.

“O ideal é que o animal tenha um espaço seguro e confortável, onde se sinta protegido. Isso contribui para reduzir o estresse e evita reações extremas durante os períodos de queima de fogos”, destaca Diogo Alves.

Especialistas reforçam que o cuidado deve ir além das festas de fim de ano e se estender a outras datas com grande uso de fogos, sempre priorizando a segurança e o bem-estar dos animais.